Você sabe como e porquê

impor limites ao seu filho?

 

 Não há como desenvolver respeito por nossos semelhantes se não entendermos que nem sempre se pode fazer de tudo nessa vida.

É importante que a criança entenda que poderá fazer muitas coisas que deseja, mas nem tudo e não o tempo todo. É esperado que tenhamos um sentimento de frustração frente à impossibilidade da realização de nossos desejos.


As crianças, por terem seu desenvolvimento psíquico ainda em formação, terão dificuldade em conter seus impulsos, muitas vezes reagindo com agressividade. Muitas vezes, as crianças obtêm ganhos secundários com o comportamento agressivo, na maioria das vezes, conseguindo a atenção que desejam, mesmo que seja de forma punitiva.

 

É preciso que os educadores consigam acolher a necessidade da criança, agindo com clareza e tolerância com a imaturidade infantil. Adultos saudáveis irão oferecer uma forma saudável de convivência. Acolher a criança, ajudá-la a compreender o que está acontecendo e a nomear seus sentimentos irá ajuda-la a desenvolver a tolerância à frustração a partir do aumento da compreensão e da percepção de si e do outro.

 

Em contrapartida a uma geração mais rigorosa quanto à imposição de limites e ao autoritarismo, alguns pais modernos abriram mão de seu papel de educador ao deixar de estabelecer regras e limites. Muitas vezes a criança grita e chora, pois é a única forma que conhece para expressar o que está sentindo. Cabe aos cuidadores ensinar a criança a compreender a si mesma e a se colocar no mundo, adquirindo novas formas de expressão.

 

A partir de 9 meses de idade já é possível ensinar alguns limites à criança:

-não cedendo a crises de “manha”, mantendo-se com firmeza e paciência;

-colocando limites verbais dizendo “não” diante de ações perigosas, ao mesmo tempo em que impede suavemente a ação;

-Não permitindo que a criança machuque outras, pondo limite verbal e/ou físico (segurar)

 

A partir de 24 meses, os limites também vão se aprimorando:

-Continuar estabelecendo limites, através da noção de sim e não e, se necessário, impedir fisicamente a ação indesejada, de

maneira firme e calma;

-Não valorizar as crises de “birra”, mantendo-se firme no “não”, procurando não se irritar com a criança;

-Estabelecer regras básicas claras e coerentes sobre o que a

criança pode e o que não pode fazer.

 

O que NÃO é dar limites?

 

•Agressão física;

•autoritarismo (dar ordens sem explicar o porquê, asseado apenas no próprio interesse, mesmo que a cada dia sua vontade seja inteiramente oposta à do outro dia, por exemplo);

•Não explicar o porquê das coisas, impondo a lei do mais forte (sou eu quem mando aqui, por exemplo)

•Vencer “no grito”;

•Invadir a privacidade dos filhos (não se trata de monitoria positiva);

•Provocar traumas emocionais (toda criança tem capacidade de compreender um "não“ sem ficar com problemas, desde que, evidentemente, este "n ão" tenha razão de ser e não seja acompanhado de agressões físicas ou morais. O que provoca traumas e problemas emocionais é, em primeiro lugar, a falta de amor e carinho, seguida de injustiça, violência física, humilhações e desrespeito à criança.

 

Então o que é dar limites?

 

•Ensinar que todos tem direitos iguais;

•Dizer "sim" sempre que possível e "não" sempre que necessário;

•Dizer ‘não’ que for realmente necessário

•Ensinar que nem sempre podemos fazer tudo o que desejamos

•Ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente para que, no futuro, os problemas da vida possam ser superados com equilíbrio e maturidade (a criança que hoje aprendeu a esperar sua vez de ser servida à mesa amanhã não considerará um insulto pessoal esperar a vez na fila do banco)

•Desenvolver a capacidade de adiar satisfação (se não conseguir emprego hoje, continuará a lutar sem desistir);

•Saber discernir entre o que é uma necessidade dos filhos e o que é apenas desejo;

•Compreender que direito à privacidade não significa falta de cuidado, descaso, falta de acompanhamento e supervisão às atividades e atitudes dos filhos, dentro e fora de casa;

•Ser o exemplo (crianças assimilam muito mais o que é mostrado do que o que é dito)

 

Ao aplicar regras, o ideal é que estas sejam poucas, flexíveis e possíveis. Pois diante de muitas tarefas para o qual não foi preparado, convenientemente o filho tenta se esquivar de todas ou manipular o cuidador emocionalmente, com o objetivo de provocar pena e facilitar o desrespeito às regras. Ao definir uma punição ou castigo, tenha certeza de que poderá cumprí-lo.

Por exemplo: uma semana sem acesso à internet.

Os pais poderão realmente controlar essa limitação? Conseguirão resistir por uma semana às tentativas insistentes dos filhos?

Castigos praticamente impossíveis de serem cumpridos, constituem ameaça. Ameaças são incapazes de mudar ou enfraquecer um comportamento, apenas torna a relação entre pais e filhos mais desgastante e aversiva.Filhos e alunos não obedecem por causa da ameaça, mas porque sabem que o castigo será cumprido. Apenas assim relacionam o comportamento inadequado ao castigo e, pra se livrar da punição, mudam o comportamento indesejado. Ameaças geralmente não são cumpridas, ou são cumpridas de forma incompleta, tornando-as ineficientes (por exemplo, o castigo de 1 mês se torna 1 semana).

 

Quando os pais descumprem sucessivamente as regras, ensinam aos filhos – através do comportamento – que: regras não precisam ser cumpridas; autoridades podem ser desrespeitadas; e, que a manipulação emocional é uma boa ferramenta. Os castigos mais eficazes são aplicados logo após o comportamento inadequado; são devidamente aplicados conforme combinado e NÃO envolvem necessidades básicas, incluindo o amor e o afeto. É preciso enfatizar que o comportamento está sendo punido e não a criança.

 

A melhor maneira de alcançar um comportamento desejado é estimulando esse comportamento através de elogios e esquemas de recompensa (que são suspensas no caso de má conduta). Recompensas preferencialmente não materiais. Pois se, ao contrário, lhes dermos nosso carinho e aprovação, eles terão seu ego fortalecido, sua auto-estima elevada e, a cada dia, sentirão mais prazer em agir de forma adequada.

 

A punição física é ineficiente a partir do momento que produz medo e não respeito ou tomada de consciência. Além disso, mostra à criança que o mais forte é o que tem razão e que a agressão supera o diálogo; que tudo bem agredirmos aos outros quando esses não fazem o que nós esperamos e quando não sabemos controlar a nossa raiva proveniente dessa frustração; que omitir fatos pode evitar a agressão, pois geralmente não apanham quando os pais não ficam sabendo de suas falhas; e que os pais, figuras de quem a criança espera proteção e amparo, não são confiáveis;

 

A imposição de regras, limites, o monitoramento e o exemplo vindo dos cuidadores são as formas positivas de um relacionamento parental. Desenvolvendo tais habilidades a família irá alcançar um estilo mais harmônico de convivência, de modo a evitar os comportamentos inadequados e antissociais.

 

Texto escrito pela psicóloga Tatiane Nascimento.

 

 

 

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