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ABORDAGEM DE GRUPOS TERAPÊUTICOS NA INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA DE AFÁSICOS

 

Sofrer um acidente vascular encefálico (AVC, conhecido popularmente como derrame) ou ser vítima de um traumatismo craniano, por si só, já é marcante na vida de um sujeito; Agora, quando nos vemos diante das sequelas que limitam a comunicação plena do indivíduo em todos os ambientes (de trabalho ou escola, família, amigos,etc) é extremamente impactante para todos os envolvidos (paciente, família, colegas de trabalho, amigos, etc).

 

As possíveis sequelas justificam sim as dificuldades desse sujeito em manter atividades linguísticas, cognitivas e sociais que fazia antes da lesão. Estamos fazendo referência a uma nova condição comunicativa mais restrita e muitas vezes duradoura de comunicação e a consequência em geral é a diminuição da participação social, das relações de trabalho, das relações pessoais, amigos, parentes, etc.

 

Na maioria das vezes esse paciente se isola, e cada vez mais evita a comunicação e interação entre aqueles que não estão no circuito da reabilitação (cuidadores, família, profissionais de saúde, etc); E isso, definitivamente não contribui de forma favorável a evolução de nenhum quadro, principalmente os quadros neurológicos adquiridos.

 

Essa reação de afastamento não tem relação com grau de severidade dos quadros afásicos, envolve características motivacionais e estímulos ofertados, oportunidades de interação, ambientes oportúnunos. É bem provável que o paciente tenha que construir com seu terapeuta uma nova forma de realizar o que antes realizava. Além de trazer a consciência da comunicação ser muito além da fala propriamente dita: nos comunicamos por gestos, expressões faciais, olhares, pelas artes, e por que não, na construção da interação com o outro.

 

Uma abordagem terapêutica em grupo para afásicos permite contemplar no ambiente terapêutico, situações mais reais de interação, e mais funcionais, diferente de quando apresentadas de forma individuais no consultório envolvendo apenas terapeuta e paciente. A interação com o outro que também apresenta dificuldade de “encontrar um nome para se comunicar”, ou que também apresenta fala confusa, por exemplo, é muito rica para todos. Num grupo há trocas afetivas, sociais, linguísticas e cognitivas, possibilita o conhecimento compartilhado, trabalha percepção, atenção e a pragmática. Os benefícios vindos dessa abordagem em grupos já foram descritos em vários estudos, e são imensuráveis.

 

A linguagem se constrói na interação, então, a interação também traria base para uma reconstrução dessa linguagem que foi prejudicada.

 

Na fonocom você conta com atendimento em grupo para atuar com os afásicos dentro desse enfoque de comunicação e interação, é o projeto COMUNICAMENTE, informe-se sobre o projeto através do zap (21) 99837-9381

Obs: É necessário passar por uma triagem com a fonoaudióloga Fernanda Senna responsável pelo projeto para verificar o perfil do paciente.

 

Texto escrito pela fonoaudióloga Fernanda Senna, doutora em Linguística pela UFRJ, especialista em Fonoaudiologia Neurofuncional e Linguagem pelo CFFa, coordenadora do Projeto COMUNICAMENTE da equipe FONOCOM