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APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA

 

O desenvolvimento da linguagem se dá por etapas ao longo do desenvolvimento global da criança. A primeira forma de comunicação é o choro, onde através dele, a criança recebe atenção e tem suas necessidades básicas garantidas. Inicialmente o choro é um ato instintivo, por conta da sobrevivência.

Com o passar do tempo, a criança começa a operar no meio que a cerca, se tornando mais participativa, e com isso, o adulto começa atribuir significados a alguns comportamentos da criança. A criança vai percebendo que determinados comportamentos dela, favorecem certos comportamentos do adulto, e com isso, a criança começa a explorar suas habilidades comunicativas.

 

Por volta dos 6-9 meses, a criança realiza várias combinações vocálicas, além de alguns gestos, na tentativa de se comunicar. Por volta dos 9-12 meses, é capaz de repetir algumas sílabas. Por volta dos 12-18 meses, a criança apresenta um vocabulário de 20 a 40 palavras. Com 2 anos, esse vocabulário aumenta para 200 palavras. Aos 3 anos a criança já é capaz de forma frases e contar histórias de maneira embolada. Com 4 anos conta histórias quase perfeitas. Com 5 anos, esperamos que a criança fale como um adulto, isto é,  sem trocas na fala.

Praticamente, todas as crianças passam por essas etapas, entretanto algumas ficam presas em determinadas etapas, e não conseguem avançar. E quando é identificado um atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem, é importante procurar um Fonoaudiólogo para realizar avaliação, e se necessário, começar a terapia o quanto antes, pois assim o prognóstico é melhor.

 

Existem diversas síndromes, transtornos e distúrbios que podem acarretar em alteração no desenvolvimento da linguagem e da fala, entre eles: Síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista, Distúrbio Específico de Linguagem, Transtorno Fonológico, Apraxia de fala na infância, entre outros.

Cada qual deve ser avaliado por um profissional capacitado para verificar as alterações de linguagem e fala, sendo o Fonoaudiólogo o responsável por essa avaliação no Brasil.

 

Antes de falarmos sobre a Apraxia de Fala na Infância, foco principal deste artigo, é válido fazer uma diferenciação entre fala e linguagem:

Linguagem é toda forma de comunicação, desde a verbal até a gestual e escrita. É como organizamos nossos pensamentos, conceitos e ações do dia a dia. Fala é a forma que verbalizamos essa linguagem. Fala é o ato motor.

Quando avaliamos crianças no consultório ou lidamos com ela em casa e/ou no ambiente escolar, podemos encontrar um grupo de crianças que apresentam um bom vocabulário receptivo, ou seja, compreendem muito bem, mas não possuem um bom vocabulário expressivo, falam pouco ou com muitas trocas. Nesses casos, podemos estar diante de uma criança com Apraxia de Fala na Infância.

 

Você sabe o que é Apraxia de Fala na Infância?

No mês de maio, voltamos a nossa a atenção para apraxia de fala na infância (AFI). A AFI pode ser encontrada isolada ou em concomitância com outra síndrome/transtorno, como Síndrome de Down, Distúrbio Específico de Linguagem e Transtorno do Espectro Autista.

Mas o que é AFI?

 

É uma desordem motora da fala, no seu planejamento motor. O cérebro apresenta uma dificuldade de planejar e sequenciar movimentos de lábios, mandíbula e língua, sendo esses, movimentos essenciais para fala. A criança sabe o que quer dizer, mas não consegue dizer, não consegue coordenar os movimentos para falar.

A ocorrência é de 2/1000 crianças nascidas. É mais comum em meninos, porém, quando observada em meninas, os sintomas são mais graves.

 

Entre os sintomas e sinais de AFI estão:

 

  • Dificuldade de articular vogais e consoantes;

  • Trocas ou omissões de fonemas;

  • Simplificação de palavras;

  • Tem dificuldade de imitar a fala, mas quando consegue, sai melhor do que a fala espontânea;

  • Apresenta vocabulário expressivo reduzido, e com muitos elementos ininteligíveis;

  • Compreende a linguagem melhor do que fala;

  • Realiza ensaio e erro, tentando organizar os movimentos para a fala (tentando encontrar o ponto articulatório);

  • Pode ter hiper ou hipossensibilidade na região oral (escovar os dentes ou determinados tipos de texturas e temperaturas, não são agradáveis para a criança);

  • Fala melhor palavras e frases curtas;

  • Enfatiza a sílaba errada.

 

Existem outros sinais, e por isso, a avaliação do Fonoaudiólogo é imprescindível para identificar AFI, e descartar quaisquer outras alterações.

 

A AFI tem tratamento, e a mesmo deve ser frequente e intensivo ao longo da semana. Quanto antes iniciar a terapia melhor, para que o prognóstico seja mais satisfatório. O foco da terapia será voltado para a melhoria do planejamento e sequenciamento motor da fala. Lembrando que não é treino de força dos órgãos fonoarticulatórios!

Por ser uma desordem com um prognóstico um pouco complicado, a terapia leva tempo, e por isso o apoio da família é imprescindível!  A criança deve treinar em casa para que evolua com maior facilidade.  Existem alguns métodos de terapia, os quais têm obtido grandes avanços, entre eles: Prompt (EUA) e Método dos Dedinhos Sings (Brasil).

 

Por conta, dos mais variados graus de AFI, algumas crianças podem fazer uso de comunicação alternativa durante um tempo, mas conforme a fala vai se desenvolvendo, essa comunicação é deixada de lado. A comunicação alternativa auxilia a criança a se expressar, enquanto ainda não é capaz de fazer verbalmente.

O prognóstico é melhor quando a intervenção ocorre de maneira precoce, portanto, se há alguma suspeita de Apraxia de Fala na Infância, procure um Fonoaudiólogo o quanto antes!

Dia 14 de maio é o dia da Apraxia de fala na infância. Divulgue! Seja a voz das crianças com apraxia!

 

Texto escrito pela fonoaudióloga Dharana Gaia da Equipe FONOCOM.

 

Referência Bibliográfica

http://www.apraxia-kids.org

http://apraxiabrasil.org

www.asha.org